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passageiros, que falavam tôdos a mesma lingua, o volapuque, e descemos na Austrália, um pouco acima do lago Torrens.
A Austrália era então a nação mais civilizada do mundo.
Extraordinários cataclismos geológicos e grandes convulsões sociais haviam transformado enormemente os vélhos continentes. Grandes arquipélagos, muito celebrados nas histórias antigas, haviam desaparecido, submergidos pelo oceano. Em compensação, uma infinidade de ilhas madrepóricas, desconhecidas hôje, disseminavam-se alegremente pelo Pacífico, opulentas de vida e de vegetação.
A Europa e a Asia, como duas cortezans decadentes, atestavam a inanidade das grandêzas humanas; e tudo o que escapára aos
A configuração daquêlle vehículo era a de um dragão
enorme, com as respectivas asas e garras.
As garras eram como que âncoras fixas, que sustinham a embarcação aérea, quando chegavam ao solo. As
asas, no comprimento de 20 metros, eram construídas de
ébano e aço, e moviam-se mais ou menos rapidamente,
segundo a indicação de em commutadôr eléctrico, muito
differente do commutadôr de Tissandier. A cabeça do dragão constituía o leme do enorme navio aéreo, que comportava 100 passageiros. O leme e as asas eram conjuntamente reguladas pelo commutador, que estava em
contacto com uma potente máquina dinamo-eléctrica.