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grafia de Emilio-o-Brando, como documento de inexcedível bondade e nunca igualável justiça.

 
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Não desejava eu avolumar excessivamente esta carta com assuntos de limitado interesse; mas o ócio desculpa-me, e o prazêr de contigo conversar absolve-me.

Falar-te-ei pois ainda de um curioso folículo de Reliquiano. Intitula-se Memórias de um pedagogo, e é atribuído a um poeta do século XIX, que parece chamar-se João Dedeus, ou coisa assim.

Traduzirei apenas algumas linhas:

 

—«E՚ inquestionável a excellencia do meu método, sobretudo pela rapidez, com que os analfabetos passam a homens letrados. Basta-me registar um facto:

Em vésperas de eleições politicas, é vulgar procurarem-me pessoas gradas, que desejam iniciar-se nos mistérios do escrita e da leitura. Por via de regra, essas pessoas são candidatos a deputados, e, quando recebem o seu diploma, ja o sabem lêr correctamente.

De um sei eu dizêr que, tendo saído eleito antes de sabêr lêr, me apresentou o seu diploma, para começar por ali os seus exercícios de leitura. Certo é que, quatro dias depois, falava nas côrtes, era um dos legisladores mais celebrados, e no anno seguinte estava ministro.