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dré, o povo levantou-lhe hosanas, as damas acenaram das janelas, e as multidões da Arcada acclamaram-no príncipe dos nefelibatas.

E Emilio-o-Brando, a cada saudação, destapava um pequenino cofre de oiro, cujo conteúdo era um pó medicinal, que fazia espirrar quem o cheirava.

Naquêlles tempos, fazêr espirrar alguém era testimunhar-lhe amizade e justiça.

E a cada espirro de cada cidadão, Emilio-o-Justo dizia sorridente:—Viva!—

E tôdos os cidadãos, assoando-se entusiasmados, conclamavam:—Viva o Justo!—

E, quando o príncipe dos nefelibatas se sentou na sua cadeira de administradôr do direito e de dispenseiro da justiça, as leis empoeiradas e carcomidas que o ladeavam, sentiram um estremecímento de júbilo: iam ser limpas, arejadas, e cunpridas como se fazia mistér.

E os litigantes chegaram em cardume.

E disseram:-lhe:

—Salvė, Justo e Brando! O Apocalipse annunciou a tua vinda. Tu és íntegro, como um poldro, e bom como um melão! Salvè!—