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VI

DECEPÇÕES

 

A carreira de Lincoln no Congresso, de 1847 a 1849, foi o que poderia ser — o mesmo que na Legislatura do Illinois, apenas em maior escala. Um agradavel e amistoso interregno, infrutifero e sem significação politica. Os chefes do partido não o tomavam muito a serio, nem o achavam digno das altas iniciações. Um disciplinado membro da massa dos Whigs, nada mais. Nas estrategias partidarias durante os debates sobre a Guerra Mexicana e o caso Wilmot, desempenhou ele corretamente o seu papel, votando com os outros. Só duma feita se atreveu a algo original — um projeto de lei emancipando os escravos do Distrito de Columbia, que não passava duma reafirmação do seu protesto de dez anos antes e sobre o qual o Congresso se manifestou tão alheado como a Legislatura do Illinois. Esse projeto nem sequer recebeu a honra de entrar em debate.1

Mas, apesar de tudo, não se pode dizer que Lincoln não causasse impressão em Washington. Repetia-se lá a sua experiencia de Springfield. Todos lhe louvavam a sociabilidade, a modestia, o bom genio e, sobretudo, a sua arte de contar historias. O humor de Lincoln, o seu estilo pessoal, conquistava as assistencias. Alem disso, ninguem deixava de lhe reconhecer a absoluta integridade.

"Durante as ferias do Natal", diz Ben Perley Poore, "Mr. Lincoln acostumou-se a ir para a saleta usada como o Correio do Congresso, e onde os amigos de historias se reuniam cada manhã, depois da distribuição da correspondencia, para a permuta entre si dos novos casos colhidos. Breve ganhou Lincoln fama do melhor contador. Seu, lugar favorito era á esquer-