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Nathaniel Wright Stephenson

nas, é coisa que temos como assente, embora não haja prova positiva. Do contrario, seriam impossiveis aquelas gargalhadas quando Lincoln chegava ao fim.

Conquanto o humor dessas historias fosse, no minimo, falstafiano, e Lincoln equivalesse ao galo do terreiro entre os rapazes de Pigeon Creek, uma observação muito significativa merece ser mencionada. Nenhuma das suas anedotas revelava lincenciosidade pessoal. Homens de excessivos escrupulos, que mais tarde se mostraram ofendidos pela sua rudeza de expressão, jamais lhe atribuiram habitos em harmonia com as historias contadas. E tambem, guiados pela impressão pessoal, sempre tiveram a sensação de que o narrador era "limpo de espirito". A explicação de tudo estava na sua dupla vida. Essa parte que nós hoje chamamos "suas reações" obedeciam a uma curiosa lei. Aquela gente frequentava a sua vida externa, mas não penetrava em sua vida interior; todos os impulsos interiores de Lincoln permaneciam fechados com ele. Mesmo aos dezenove anos Lincoln devia impressionar os sensiveis á espiritualidade com a nota de misterio. Para os homens grosseiros que o rodeavam, porém, isso seria imperceptivel. Não lhes era dado perceber o problema do seu carater, ou suspeitar que estivessem diante de um genio, nem adivinhar que no futuro muitos homens sinceros iriam formar a seu respeito ideias tão opostas como o branco é oposto ao negro. O rapaz que os homens de Pigeon Creek viam era um reflexo deles mesmos. Mas apenas reflexo — superficial como a imagem que um espelho reflete.