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Foi em dezembro, no mês bendito,
No mês de festa, que ela partiu...
Desde esse tempo, do seu seio aflito
Minh’alma louca, também fugiu.
E foi tão grande minha agonia
Que quase morro de soluçar,
Quando beijei-a na boca fria
Como uma concha que sai do Mar!
Passava a noite...( lembro-me tanto!)
Noite de lua, misteriosa...
Choravam astros no etéreo manto...
Meu Deus, que noite silenciosa!
A lua mansa no Céu vogava,
Como um barquinho n’agua do rio,
E parecia que murmurava:
“No Céu formoso faz tanto frio!”