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tyrannia. Não convinha ir logo de um salto, mas de vagar, com segurança, de maneira que elle desse por si quando ella lhe puzesse o pé no pescoço. Obra de algumas semanas, tres a quatro, não mais. Ella, Sophia, estava prompta a ajudal-a. E repetia-lhe que não fosse molle, que não era escrava de ninguem, etc. Marianna ia cantando dentro do coração a _marselheza_ do matrimonio. Chegaram á rua do Ouvidor. Era pouco mais do meio dia. Muita gente, andando ou parada, o movimento do costume. Marianna sentiu-se um pouco atordoada, como sempre lhe acontecia. A uniformidade e a placidez, que eram o fundo do seu caracter e da sua vida, receberam daquella agitação os repellões do costume. Ella mal podia andar por entre os grupos, menos ainda sabia onde fixasse os olhos, tal era a confusão das gentes, tal era a variedade das lojas. Conchegava-se muito á amiga, e, sem reparar que tinham passado a casa do dentista, ia anciosa de lá entrar. Era um repouso; era alguma cousa melhor do que o tumulto.

--Esta rua do Ouvidor! ia dizendo.

--Sim? respondia Sophia, voltando a cabeça para ella e os olhos para um rapaz que estava na outra calçada.