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HISTORIA DO FUTURO.

casse eu da sua parte que a seu reino de Portugal nunca faltariam reis portuguezes, salvo se pela graveza de culpas por algum tempo o castigar; não será porém tão comprido o prazo deste castigo, que chegue a termos de sessenta annos. De Claraval 13 de Março de 1136. Bernardo»[1].

A condicional do castigo cumpriu-se por nossos peccados, que sem duvida deviam ser muito grandes: mas tambem se cumpriu muito pontualmente, que o castigo não chegaria a termo de sessenta annos, porque el-rei D. Filipe o II foi jurado por rei de Portugal nas côrtes de Thomar em 26 de abril do anno de 1581. El-rei D. João o IV nas côrtes de Lisboa em 13 de dezembro de 640 que fazem 59 annos e cinco mezes menos alguns dias, ou sessenta annos não completos, como S. Bernardo tinha prophetisado. Outra carta temos do mesmo santo escripta ao mesmo rei, em que dá outro signal manifesto (e tambem já cumprido), do tempo em que havia de faltar a coroa, que adiante poremos.

Finalmente, muitas pessoas (de cujo espirito, a respeito dos successos futuros de Portugal, tractaremos larga e particularmente no cap. 60 deste livro, não só predisseram a sujeição do reino a Castella, e sua liberdade, mas que o fim de uma, e principio de outra, havia de ser signaladamente no anno de quarenta, e que naquelle anno seria levantado novo rei de Portugal, e que este se chamaria D. João, com todas as outras circumstancias tão miudas e particulares, como se verá no mesmo logar[2].

De maneira que por todas estas prophécias consta claramente, que ao reino de Portugal haviam de faltar os reis portuguezes, e que esta falta havia de succeder no decimo sexto rei descendente d’el-rei D. Affonso Henriques, e que havia o reino de gemer debaixo da sujeição estranha, e que esta sujeição havia de ser a Castella, e que não havia de durar mais que sessenta annos não completos, e que o termo destes sessenta annos havia de ser

  1. Fr. Francisco de Foyos no seu sermão impresso da introducção do Lausperenne de Alcobaça.
  2. Vide D. João de Castro, e o memorial que deu ao papa Innocencio X Pantaleão Rodrigues Pacheco, bispo nomeado de Elvas.