Página:Historia do futuro v.1 (1855).pdf/65

Esta página ainda não foi revisada
HISTORIA DO FUTURO.
65
CAPITULO VIII.
Continua a mesma materia.

Desenganado por estas evidencias o poder, a industria, o discurso, e esperança hespanhola, bem pudera eu esperar do juizo, mais politico de nossos competidores, e seus conselheiros, acabassem de desistir de tão infructuosa prophécia. Mas deixados á parte os argumentos da razão e experiencia, subamos um ponto mais alto, e se ágora me ouviram como homem a racionaes, oiçam-me agora como christão a catholicos.

Não duvido, nem alguem pôde duvidar da fé, religião, e piedade hespanhola, que, se o seu catholico principe, e seus maiores conselhos se acabassem de persuadir, que Deus tinha decretada a conservação e perpetuidade de Portugal, obedeceriam com summa reverencia aos divinos decretos; abateriam a Deus, ainda que tremulassem victoriosas suas catholicas bandeiras; tocariam a recolher seus capitães e exercitos, e confessariam na mais levantada fortuna a desigualdade de sua maior potencia contra os acenos da divina.

Isto é o que eu agora lhes quero persuadir e demonstrar, e um dos fins principaes porque escrevo esta Historia, para que pelo conhecimento de nossos futuros, possam emendar o engano de suas esperanças presentes. Sempre são falsas e enganosas as esperanças humanas, mas nunca mais certamente falsas, que quando se oppoem e encontram com as promessas divinas. Veja e saiba Castella o que Deus tem promettido a Portugal, e logo advertirá a vaidade do que suas esperanças lhe promettem! Tal é este livro, ó Hespanha, que tambem a ti dedico e offereço: aqui verás os futuros de Portugal, e tudo o que pôdes esperar delle em sua conquista.

Levantou Deus no mundo a Jeremias por seu ministro, e a