Página:Historia do futuro v.1 (1855).pdf/44
tro azas. Na visão da estatua de Nabuco referida no cap. 2.º O terceiro dos metaes, que era o bronze, significava tambem o imperio de Alexandre, e diz alli o propheta, que reinaría e se faria obedecer de todo o mundo: Et regnum tertium aluid ærum, quod imperabit universæ terræ[1].
Em seguida e confiança destas prophécias partiu Alexandre victorioso para a conquista que lhe restava do mundo oriental, o qual sujeitou e uniu todo o seu imperio passando o Tauro e o Caucaso, e chegando até os fins do Ganges, e praias do mar Indico, que eram então as ultimas da terra d’onde Hercules e o padre Libero as tinham collocado.
Mas foram ainda mais em numero e grandeza as nações que venceu e sujeitou Alexandre com a fama, mais que com a espada, porque entrando da volta desta jornada em Babylonia, achou nella os embaixadores de Africa, de Carthago, Hespanha, Gallia, Italia, Sicilia, Sardenha, as quaes provincias, em obsequio e reconhecimento de sua potencia se lhe mandaram sujeitar e entregar espontaneamente, e entre ellas os mesmos romanos (nome já naquelle tempo famoso no mundo), como é auctor Clitarcho, referido e louvado por Plinio no liv. 3.º da Historia Natural. Tudo certifica ainda com palavras maiores o mesmo texto sagrado no exordio do primeiro livro dos Macabeus, dizendo: Alexander, qui primus regnavit in Græcia, percussit Darium regem Persarum, et Medorum, constituit, et prælia multa obtinuit omnium munitones, interfecit reges terræ, pertransiit usque ad fines terræ, accepit spolia multitudinis gentium, et siluit terra in conspectu ejus. (1. Mac. I — 1, 2 e 3)
Porém o que mais admira nas conquistas e victorias de Alexandre, é a desigualdade do poder, e o limitado apparelho de guerra com que entrou em tão immensa empresa; porque, como refere Plutarco, e o prova com graves auctores, saiu de Macedonia com menos de quarenta mil homens, bastimentos só para trinta dias, e com setenta talentos para estipendios, que fazem da nossa moeda quarenta e dois mil cruzados.
- ↑ Dan. II. A Lap. v. 16. § Et ecce Dan. II — 39. § Et regnum tertium.