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tivos, e voltam carregados de despojos: conhecem-se em fim com immortal gloria de Jonathas os auctores de tão estupenda façanha, bastando só dois homens armados da confiança de uma prophécia, para porem em fuga o mais poderoso exercito, e alcançarem a mais desigual e prodigiosa victoria.
A maior e mais nobre conquista que até hoje se intentou e conseguiu no mundo, foi a famosa de Alexandre Magno: o homem que a emprehendeu era o maior capitão que creou a natureza, formou o valor, aperfeiçoou a arte, e acompanhou a fortuna; mas se não fôra ajudado da prophécia, nem elle se atrevera a o que se atreveu, nem obrára e levára ao cabo o que obrou. Bem sei que no dia em que nasceu Alexandre, ardeu o famosíssimo templo de Diana Ephesina, onde prognosticaram os Magos, que naquelle dia entrára no mundo, quem havia de ser o incêndio de toda Ásia[1].
Tambem sei, que a quem desatasse o nó gordiano que Alexandre cortou com a espada, estava promettido pelos oraculos de Apollo Delphico o imperio de todo o oriente; mas não chamo eu a isto prophécias, nem assento considerações e verdades tão serias sobre fundamentos de tão pouca subsistencia, como são os vaticínios da gentilidade.
Conta José no liv. 11.º de suas Antiguidades, que entrando Alexandre em Jerusalem, saiu a o receber fóra do templo o summo sacerdote Jaddo, revestido nos ornamentos pontificaes, e que Alexandre, vendo-o, se lançára a seus pés, e o adorára; (José Ant. XI — 8) e perguntado pela causa de tão desuzada reverencia, tão alheia de sua grandeza e magestade, respondeu, que elle não adorára aquelle homem, senão nelle a Deus, porque reconheçera que aquelle era o habito, o ornato e a representação, em que Deus lhe tinha apparecido em Dio, cidade de Macedonia, e exhortando-o a que emprehendesse a conquista da Persia, que naquelle tempo meditava, lhe segurára a victoria.
As palavras de Alexandre (que é bem se veja a sua formalidade) são as seguintes: Non hunc adoravi, sed Deum, cujus prin-
- ↑ A Lap. in Dan. 2. 29. § 12. 5.