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HISTORIA DO FUTURO.

Deixou Christo aos discípulos luctar com a tempestade na primeira vigia, na segunda não lhes acudiu, nem na terceira, e quando na quarta depois de os atemorizar com phantasmas, os soccorreu com sua presença, ainda então os repreheendeu de pouca confiança. (Matth. XIV — 25) Escureça-se a noite, brame o mar, rompa-se o céu, enfureçam-se os ventos, que Deus ha de acudir por sua palavra; seguro está o reino em que elle e a palavra de Deus correm o mesmo perigo.


CAPITULO VI.
Terceira utilidade.


Finalmente (e é a terceira e não menor utilidade desta Historia), lendo os princípios da christandade, e mais particularmente aquelles que forem ou estão já escolhidos por Deus para instrumentos gloriosos de tão singulares maravilhas, e maravilhosas felicidades: lendo, digo, no discurso da Historia do Futuro, as victorias, os triumphos, as conquistas, os reinos, as corôas, e o domínio e sujeição de nações, tantas e tão dilatadas, que lhe estão promettidas, na fé e confiança das mesmas promessas se atreve-rão animosamente a emprehendel-as, sendo certo, que, medidas só as forças da potencia humana, sem ter por fiador a palavra divina, nenhuma razão haveria no mundo, que se atrevesse a aconselhar, nem ainda temeridade que se arrojasse a emprehender a desigualdade de tamanhas guerras, e a desproporção de tão immensas conquistas. Mas as promessas, e as disposições divinas, antecedentemente conhecidas na previsão do futuro, tudo facilitam, e a tudo animam.

Para testemunho desta tão importante verdade, e alento dos que a lerem, porei aqui um só exemplo de guerras, outro de conquistas, mas um e outro os maiores que até hoje se viram no mundo.