Página:Historia das invenções.pdf/91
CAPITULO VII
Ultimas Mãozadas
NO dia seguinte dona Benta continuou:
— Ontem, quando falei da invenção da maquina a vapor por aquele James Watt, deixei de mencionar alguns pioneiros que já vinham trabalhando nela com grande ardor. Um deles foi o francês Papin, que muito se impressionara com uma chaleira de agua a ferver. A tampa da chaleira dansava ao impulso do vapor e desse modo revelava a existencia de uma força aproveitavel. Outros foram os italianos Della Porta e Giovanni Branca, o marquês de Worcester, e um de nome Fiske, nos Estados Unidos. Este chegou a suicidar-se quando viu que não resolvia o problema.
As primeiras locomotivas a vapor aparecidas diante dos olhos do publico provocaram indignação. O povo, que ia ser tremendamente beneficiado com aquilo, só pensou numa coisa: destruir tais "artes do diabo", aqueles horrores que caminhavam por si mesmos, sem a ajuda dos musculos humanos ou da força dos animais.
— Interessante, vóvó, como a inteligencia dos homens é desigual. Nuns, tão grande que inventam coisas; noutros, tão pequena que se revoltam contra as invenções...
— Realmente, minha filha. A distancia entre a inteligencia dum Newton e a dum homem comum do povo é talvez maior que a distancia entre a inteligencia desse homem do povo e a de um boi de carro. Daí o sofrimento dos homens de alta inteligencia. Em regra não são compreendidos.