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Capítulo XIV
O Olho
— HOJE que é? perguntou Narizinho no dia seguinte, quando dona Benta se sentou para o serão cientifico.
— Hoje é o olho — o mais maravilhoso orgão de que dispomos. O olho é o orgão da vista, e o que é a vista não preciso explicar. Quem quiser saber, basta que feche os olhos por alguns segundos. Isso ensinará melhor do que um livro inteiro o que é e o que vale a vista.
Os meninos fecharam os olhos por alguns segundos.
— Que horror! exclamou Narizinho reabrindo os seus. Que horror a cegueira, vóvó!...
— E no entanto ha animais completamente cegos que se arrumam muito bem na vida, disse dona Benta. Mas possuem os outros sentidos apuradissimos, de modo que conseguem equilibrar a ausencia de olhos. Vamos ver o livro de capa preta.
Dona Benta correu os olhos pelo livro e falou:
— Van Loon começa dizendo que os homens vivem no fundo dum oceano de ar de tal profundidade que ninguem ainda conseguiu chegar á superficie. Durante certas horas do dia esse occano gasoso está iluminado pelos raios de sol. Está cheio de luz — a luz solar que nos permite ver. Por que? Porque pertencemos a uma especie animal dotada de olhos, isto é, de orgãos sensiveis á luz.