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Dona benta costumava receber livros novos, de ciencia, de arte, de literatura. Era o tipo da velhinha novidadeira. Bem dizia o compadre Teodorico: "Dona Benta parece velha mas não é, tem o espirito mais moço que o de muitas jovens de vinte anos".
Assim foi que naquele bolorento mês de fevereiro, em que era impossivel botar o nariz fora de casa, de tanto que chovia, resolveu contar aos meninos um dos ultimos livros chegados.
— Tenho aqui um livro de Hendrik Van Loon, disse ela, um sabio americano, autor de coisas muito interessantes. Ele sai dos caminhos por onde todo mundo anda e fala das ciencias dum modo que tudo vira romance, de tão atrativo. Já li para vocês a geografia que ele escreveu e agora vou ler este ultimo livro — Historia das Invenções do Homem, o Fazedor de Milagres.
Era um livro grosso, de capa preta, cheio de desenhos feitos pelo proprio autor. Desenhos não muito bons, mas que serviam para acentuar suas ideias.
— E quando começa? quis saber Narizinho.
— Hoje mesmo, no serão. Podemos começar logo depois do radio.
Já havia lá no sitio um radio de ondas curtas, que pegava as irradiações de numerosas estações estrangeiras, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Russia, e "depois do radio" queria dizer depois das sete horas, porque das seis