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vindo constituidas de Portugal e muito poucas seriam. As formadas aqui, por motivo da escassez de mulheres brancas, seriam ainda menos. As demais resultavam de uniões irregulares dos colonos com as suas negras, conforme principiaram os portuguezes a chamar ás indias, ou do seu casamento com estas, como começou a acontecer por influencia dos jesuitas, e mais tarde foi acoroçoado pelo rei. As numerosas filhas ilegitimas ou legitimadas do Caramurá casaram com fidalgos e soldados da conquista e seriam mamelucas ainda escuras, do primeiro sangue, e umas broncas caboclas. AAo contrario do que passou na America ingleza, exceptuando algum eclesiastico ou alto funcionario, quaso não veiu para o Brasil nenhum reinól instruido, e ainda incluindo estes pode dizer-se que no primeiro século da colonização não houve aqui algum representante da boa cultura européa dessa gloriosa éra.
O mais antigo assento da primeira sociedade brasileira que não desmereça o nome de civilizada, foi a capitania de Pernambuco de Duarte Coelho. Este fidalgo da primeira nobreza portugueza e ilustrado por bizarros feitos militares na India desde 1534 se estabeleceu na sua capitania com sua mulher, da casa dos Albuquerques, um cunhado, outros fidalgos e cavaleiros de suas relações ou parentescos, e muitos colonos, os melhores talvez dos que nesses tempos vieram ao Brasil. A sua colonia foi a mais bem ordenada e a mais bem governada de todas e a que mais prosperou. Mas mesmo aí não faltam testemunhos da descompostura dos costumes coloniais. Jeronimo de Albuquerque, cunhado do austero donatario, quando casou de ordem da rainha escandalizada com a sua libertinagem, fez-se acompanhar de onze filhos naturais que tivera, uns da filha do
tuxaua Arco Verde, outros de suas mancebas indias[1]. A ordem e policia material criada pela forte e esclarecida
- ↑ Oliveira Lima, Pernambuco. Seu desenvolvimento historico, Leipzig, 1895, 14.
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