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Mas quer no romance, quer no teatro. Macedo não fez mais ainda na véspera ou já em pleno dia do naturalismo que continuar, por inércia, o movimento adquirido com a primeira geração romântica. Esta imobilidade, que não basta à inspiração social de Vítimas algozes, e de alguma sua peça de teatro, para desmentir, decididamente o fixa nesta geração, sem embargo dele ter vivido, e sempre escrevendo, até 1882. Nem a concepção do romance ou do teatro, nem o estilo de Macedo, variaram nunca do seu conceito primitivo de uma história inventada e recontada com muita poesia, ou, o que ele cria tal, para comover a sentimentalidade do leitor ou do ouvinte, com o fim de o edificar moralmente. Com este conceito, que foi o de todos os nossos românticos, sem exceção de Alencar, Macedo o realizou sem engenho que o relevasse, a sua obra é, do puro aspecto literário, de somenos valia. Há nela, porém, alguma cousa que a levanta e faz viver da vida mesquinha que ainda tem: primeiro a sua sinceridade, a sua ingenuidade na representação do primeiro meio século da nossa existência nacional, segundo a alegria que há nela, e que agradavelmente destoa da estranha tristeza de todos os seus companheiros de geração. Como quer que seja, ele tem, sem grande riqueza e força aliás, imaginação e facilidade. Como autor de teatro foi talvez o que melhor o soube fazer aqui. O desleixo com que geralmente escreveu, senão também pensou as suas obras, prejudicou-as consideravelmente em o nosso atual conceito. Mas os seus defeitos de concepção e de forma, a que somos hoje nimiamente sensível, não afrontavam os seus contemporâneos, dos quais foi um favorito. Ainda hoje é dos nossos romancistas mais lidos, se bem que às escondidas e em segredo. É o que tem sido mais repetidamente editado. E Taunay, que estreava já na terceira geração, dedicando-lhe o seu romance A mocidade de Trajano, como a um mestre, apenas exprimiu o sentimento de comum apreço pelo operoso e divertido escritor.

Bernardo Guimarães nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais,