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depois fez no que diz respeito á etiqueta e aos brasões, se bem que no concernente á sua pessoa conservasse sempre para semelhantes cousas o mesmo desprezo, que ao principio por ellas tivera, como quem entendia que, como quer que fosse, tinha de ser o representante da revoluçāo franceza, e o terror das aristocracias da Europa.
As relações que se estabelecêrāo entre Bonaparte e Madama de Beauharnais nāo parárāo em um mero conhecimento. Amava-a elle com a maior ternura e fazia consistir a sua dita em se desposar com aquella por quem sentia a mais violenta paixāo. De mais que aquella uniāo era acertada; Madama de Beauharnais tinha alguns bens que lhe rendiāo annualmente 20,000 livras, e Bonaparte nāo possuía outra cousa senāo a patente de general. O tabelliāo de Madama de Beauharnais, chamado elle Raguideau, que com o correr do tempo veio tambem a sêl-o do imperador, representou á sua constituinte que se nāo havia com prudencia, casando-se com um homem que nāo tinha outros cabedaes senāo a capa e a espada. Posto que Bonaparte ouvisse o que o notario dizia, nāo se deo por aggravado, porêm no cabo de oito annos, estando elle vestindo-se para o acto da coroaçāo, como avistasse entre um semnumero de cortezāos o mencionado tabelliāo, mandou-o chamar, e mostrando-lhe o manto imperial e a espada de Carlos Magno lhe disse em voz baixa: « Ahi tendes a capa e a espada de que havieis fallado. » Celebrou-se finalmente o casamento a 9 de Março de 1796, e forāo d՚elle tes-