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capitulo I.
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camaradas ; isto é tāo contrario á verdade, que um dos sobreditos camaradas se determinou a desmentir este boato , relatando-nos a particularidade que deo motivo a esse conto, e foi a celebre invençāo d՚um forte feito de neve, posto em sitio e defendido com balas da mesma substancia.

No inverno de 1783 para 1784, refere este condiscipulo de Napoleāo, memoravel pela grande quantidade de neve que choveo, achava se Napoleāo por extremo dissaboreado, por isso que se via privado das florestas e desvios por onde tanto folgava de ir espairecer, e era obrigado durante as horas de recreio a misturar-se com os seus camaradas, e a passeiar com elles numa grande sala. Para livrar-se de tāo aborrecido e monotono passeio, teve Napoleāo a industria de exaltar as cabeças de todos os seus condiscipulos , e de persuadir-lhes que passariāo aquellas horas mais agradavelmente , se se determinassem com pás a romper por meio da neve , abrir trincheiras , construir muralhas, parapeitos, terraplenos, fazer emfim uma especie de fortaleza. « Em ella estando concluida, dizia Napoleāo, podemos repartir-nos em pelotōes e pôl-a em sitio ; e como fui eu que tive a lembrança d՚este novo divertimento, sobre mim tomo a direcção do assalto. »

Approvárāo os ccndiscipulos com alegria o alvitre, e passárāo immediatamente a pôl-o em execuçāo ; e aquelle arremêdo de guerra durou por espaço de quinze dias, no cabo dos quaes foi mister pôr-lhe termo, porque sendo já pouca a neve de que