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S. BERNARDO
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um esperando pelo outro. Observei então que a mocinha loura voltava para nós, attenta, os grandes olhos azues.

De repente conheci que estava querendo bem á pequena. Precisamente o contrario da mulher que eu andava imaginando — mas agradava-me, com os diabos. Miudinha, fraquinha. D. Marcella era bichão. Uma peitaria, um pé de rabo, um toitiço!

Como o silencio se prolongasse, repliquei ao Nogueira, quasi me dirigindo á lourinha:

— Existem coisas inúteis que nós conserva­mos. Eu conservo este cachimbo, que é inútil e até me faz mal.

Enchi o cachimbo :

— Que, para ser franco, nem sei se elle é inutil. Talvez não seja. Por isso vou ás eleições. O senhor com certeza não quer acabar com as leis.

O dr. Magalhães, para quem a lei escripta é como o ar, escandalizou-se:

— Oh!

— Não, tornou João Nogueira. Que essas do congresso ordinariamente não prestam. O que é bom acabar é o congresso. As leis deviam ser fei­tas por especialistas.

— Ah! suspirou o dr. Magalhães, alliviado.

Leis ou decretos, desde que estivessem no papel, em fórma, era tudo o mesmo. Cruzou as pernas, balançou a cabeça, estirou o beiço e levantou um dedo: