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S. BERNARDO

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cançada, e eu me roendo por dentro. Descançada como se tudo estivesse muito direito. Tinha desejo de accordal-a, recomeçar a contenda em que viviamos. Dormir assim, quando eu estava preoccupado, seriamente preoccupado, não era justo. Preoccupado com que? A final que fazia ali, com a mão na chave e os olhos esbugalhados para Ma­gdalena?
— Porque diabo estou mexendo nisto?
Ah! sim! ver as horas. Empurrava a porta, atravessava o corredor, entrava na sala de jantar. Sempre era alguma coisa saber as horas.
Sentava-me no meu lugar á mesa. No começo das nossas desavenças todas as noites aqui me sen­tava, arengando com Magdalena. Tinhamos des­perdiçado tantas palavras!
— Para que serve a gente discutir, explicarse? Para que?
Para que, realmente? O que eu dizia era sim­ples, directo, e procurava debalde em minha mu­lher concisão e clareza. Usar aquelle vocabulário, vasto, cheio de ciladas, não me seria possivel. E se ella tentava empregar a minha linguagem resu­mida, matuta, as expressões mais inoffensivas e concretas eram para mim semelhantes as cobras: faziam voltas, picavam e tinham significação ve­nenosa.