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GRACILIANO RAMOS

o caso apinhei os indios em alvoroço no centro da ocara, aterrorizados, gritando por Tupan, e afoguei um bando de marujos portuguezes. Mas não os achei bem afogados, nem achei a bulha dos cahetés sufficientemente desenvolvida.

Com a penna irresoluta, muito tempo contemplei destroços fluctuantes. Eu tinha confiado naquelle naufragio, idealizara um grande naufragio cheio de adjectivos energicos, e por fim me apparecia um pequenino naufragio inexpressivo, um naufragio reles. E curto: dezoito linhas de letra espichada, com emendas. Pôr no meu livro um navio que se afunda! Tolice. Onde vi eu um galeão? E quem me disse que era galeão? Talvez fosse uma caravela. Ou um bergantim. Melhor teria feito se houvesse arrumado os cahetés no interior do paiz, e deixado a embarcação escangalhar-se como Deus quizesse.

E não sei onde se deu o desastre. Para os lados de S. Miguel de Campos, ou Coruripe da Praia por ahi... Talvez o Dr. Liberato soubesse. Levantei-me, bati á porta do quarto delle. Ninguém. Atravessei o corredor, despertei D. Maria José, que dormitava encostada á mesa da sala de jantar:

— Oh D. Maria, que é do Dr. Liberato?

Tinha ido a casa do Mendonça, que era dia de annos de D. Eulalia.

— E o Pinheiro? O Pinheiro tambem foi?

O Pinheiro tambem tinha ido. Que diabo! Fugirem todos justamente na occasião em que eram necessarios! Lembrei-me de padre Athanasio. Dez horas. Bem, devia estar accordado, decidi consultal-o. Voltei ao quarto, mudei a roupa e sahi, satisfeito por ter achado um pretexto para abandonar aquella estopada.

Na redacção da Semana encontrei o reverendo sentado á banca, só, pregando um botão na batina.