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VII

Sabbado pela manhã Evaristo Barroca partiu para a capital. Ia furar, cavar, politicar. Depois que sahira deputado, andava sempre por lá, farejando. Bem diz o Pinheiro, aquelle vai longe. Ao meio dia Clementina teve um ataque, metteu as unhas na cara do pae, fez um alarido que attrahiu os vizinhos, bateu com a cabeça nas paredes, gritou, espumou, ficou estatelada na cama. De sorte que no domingo era provavel haver poucas pessoas em casa de Adrião.

Como me sentisse inquieto, resolvi distrahir-me aproveitando parte da noite a trabalhar no meu romance. Fui á sala de jantar:

— Oh d. Maria, dê-me uma chicara de café, por favor.

Bebi o café, tranquei-me no quarto, tirei o manuscripto da gaveta:

— Vamos a isto.

E descrevi um cemiterio indigena, que havia imaginado no escriptorio, emquanto Victorino folheava o caixa.

Desviando-me de pormenores compromettedores, construi uma cerca de troncos, enterrei aqui e ali camocins com es­queletos, espetei em estacas um numero razoavel de caveiras e, prudentemente, dei a descripção