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CAHETÉS
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Interrompeu-se, bateu-me no hombro, exclamou com admiração e energia, quasi engasgado:

— Olhe aquillo, veja que predio. Vale vinte con­tos. Pedra e madeira de lei. E terras, cada zebú de trinta arrobas, libra esterlina por desgraça, fortuna grossa, meu filho, e tudo da Martha, que o Miranda me contou. Atraque-se com a moça.

Não contive o riso. Estava elle certo de que a Mar­tha Varejão acceitava o arranjo?

— Porque não? Que diabo pode ella querer mais? Você é bem apessoado, tem boas relações, sabe escripturação mercantil e um bocado de arithmetica. Oh! demonio! Lá se apagou a luz.

Chegámos á rua dos Italianos. A’ porta da pensão, quando ia introduzir a chave na fechadura ouvi rumor lá dentro. E Isidoro Pinheiro soprou-me ao ouvido :

— Espere ahi, não abra agora.

— Que é?

— O Paschoal que vai entrar no quarto de D. Ma­ria. E’ bom demorar um pouco.