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— Está bem, padre Athanasio, fica o resto para outro dia. Ande lá, Pinheiro, isto é quasi meia noite.
Isidoro levantou-se, vestiu o jaquetão preto, poz o chapeo de grandes abas.
— Esperem ahi, bradou o vigario. Vamos deitar esse negocio de reencarnação em pratos limpos. Vejam vocês o Platão. Aquillo é coisa seria, ninguem pode contestar. Dizem vocês...
— Não dizemos nada, padre Athanasio. Boa noite.
E deixámos o excellente ecclesiastico remoendo Platão.
Andámos algum tempo em silencio, na rua mal iluminada. Para as bandas do quartel da policia um trovador afinava o violão. No ceo negro uma coruja passou alto, piando.
— Diabo! exclamou Isidoro, supersticioso, estremecendo. Não gosto de ouvir estes amaldiçoados gritos. Justamente por cima da casa do Silverio, que está de cama, esta peste voar, rasgando mortalha!
Levantou a golla, arrepiado, baixou a voz:
— Pensou no que lhe disse hontem?
— Hein? Não me lembro. E’ o emprestimo?
Tinhamos chegado ao fim da rua de Baixo, estavamos em frente ás balaustradas do paredão do açude. Tomámos pela direita, deixámos atraz a pracinha.
— Não, não é o emprestimo. Que horas são?
Consultou o relogio da usina electrica:
— Só onze? Julguei que fosse mais tarde. Vamos para diante, quebrar as pernas pelos buracos do Pemambuco Novo.
Olhei a frontaria da casa de Adrião, fechada. Hesitei receoso.
— Não ha ninguem, tudo deserto. Vamos dar um passeio, insinuou Isidoro.
Penetrámos cautelosamente no Pemambuco Novo, o bairro das meretrizes.