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CAHETÉS
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Mas Isidoro, que defende toda a gente, defendeu o Neves:

— Porque, homem? O Neves é inoffensivo.

— Um canalha, um maldizente.

— Como sabe você disso? Não priva com elle.

— Nem desejo.

— Pois então? E’ injustiça.

— Um calumniador, um miseravel.

Isidoro Pinheiro franziu a cara, com desconsolo, e padre Athanasio, que não gosta do Neves, censurou a violencia da minha linguagem:

— Leviandade, João Valerio. Não se offende assim uma pessoa ausente. Deixe para dizer isso a elle, se tiver razão para dizer. Razão e coragem. A nós, não.

Interrompeu-se, gritou para a saleta da typographia:

— Sargento, traga uma segunda prova dessa besteira.

O typographo, sargento reformado, sujo, magro, de casquette, entrou e poz sobre a mesa do reverendo duas provas mui­to manchadas. Padre Athanasio conferiu uma com a outra, corrigiu, continuou:

— A nós, não. Sapeque logo essa trapalhada, sargento. A nós, não. Que eu lorotas de espiritismo não tolero. E o Allan Kardec...

Concentrou-se um instante, os olhos arregalados, o beiço pendente. Depois accrescentou:

— O Allan Kardec e essa cambada, o William Crookes, o Flammarion, o João Licio Marques, um que apareceu ago­ra... Como se chama elle? Que o Neves tem a lingua um bo­cado comprida, tem, eu reconheço. Tem, ora essa, seu Pinhei­ro! Tem, e o William Crookes é um parlapatão. Onde foi que já se viu defuncto conversando com gente viva?

Abracei o director da Semana, um amigo, sem ressentimen­to pelo que elle me havia dito: