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III

Passei uma semana inquieto, e na quinta-feira não tive um momento de socego. Ao fechar o armazem, Adrião despediu-se de mim:

— Até mais tarde, João Valerio.

Até mais tarde! Como se eu pudesse lá voltar! Pre­cisava inventar uma desculpa.

Encontrei os companheiros de pensão a jantar, sob o sorriso de D. Maria José, gordinha e miuda.

— Uma novidade! gritou Paschoal quando desdobrei o guardanapo. A Clementina vai casar.

Era a eterna pilheria: não se cançavam de forjar casamentos para a pobre da Clementina.

— Quem é o noivo? inquiriu o Dr. Liberato erguendo os grossos vidros das suas lunetas de myope.

— Não se sabe, respondeu Paschoal. Foi um espirito que deu a noticia na ultima sessão. Clementina ficou actuada...

— Então isso continua? interveio Isidoro Pinheiro. Essas sessões têm agua pela barba a padre Athanasio. Ainda hontem estava arengando com o Neves por causa das materializações.

Falaram de espiritismo, de pessoas conhecidas que se desgarravam da Igreja. Aqui e ali appareciam timidamente alguns adeptos. Na opinião do Dr. Liberato,