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Descendo pela rua Floriano Peixoto, admirei o talento do Barroca.

Sim senhor, é um alho, pensei. Faz seis anos que aqui chegou, pobre, saído de fresco da academia, sem recomendações, com os cotovelos no fio e os fundilhos remendados. E lá vai furando, verrumando. Grande clientela, relações com gente boa. Construíu uma casa, comprou fazenda de gado e terra com plantações de café, colocou dinheiro nos bancos e veste-se no me­lhor alfaiate da capital. Improvisa discursos com abundância de chavões sonoros, dança admiràvelmente, joga o poker com arte, toca flauta e impinge às senhoras ex­pressões amanteigadas que elas recebem com deleite. Tem recursos para reconciliar dois indivíduos que se malquistam, ficando credor da gratidão de ambos. Como advogado, sabe captar a confiança dos clientes e, o que é melhor, a confiança das partes contrárias.

— Boa tarde, doutor.

Era uma prova da perícia do Barroca: o adminis­trador da recebedoria, que passava pela calçada frontei­ra, macilento, com a mulher de banda, enorme, aper­tada num vestido de xadrez.

Ofereceram a Evaristo aquêle cargo de adminis­trador. Rendimento pequeno. Agradeceu e indicou para o lugar um colega cheio de necessidades. Naturalmen­te ganhou com a indicação, pois os negócios lhe anda­ram sempre de vento em pôpa. E estava à bica para deputado estadual.

— Sim senhor, disse comigo. Deputado!


V

O DIRECTOR da Semana mourejava na extracção de um dos seus complicados períodos, que ninguém enten­de. Tinha aberto o dicionário três vezes. Soltou o li­vro com desânimo, olhou de esguelha para a banca de Isidoro e perguntou-me em voz baixa:

— Eucalipto é com i ou com y? Estou esquecido, e o dicionário não dá.

— Eucalipto... eucalipto... respondi indeciso. Também não sei, padre Atanásio. Ó Pinheiro, como é que se escreve eucalipto?

— Com p, ensinou Isidoro, solícito.

— Não é isso. Nós queremos saber se é com i ou com y.