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SERAPHICA

Como as illuminuras dos Missaes, que resaltam de marfins eburneos, era infinitamente seraphica, da beatitude angélica dos cherubins, aquella pallida mulher juncal, de um moreno triste e contemplativo de magnolia crestada.

Seus grandes olhos negros, profundos e velludosos, de finissimos cilios rendilhados, raiados de uma expressão judaica, tornavam ainda maior o relêvo do pallôr esmaiado do rosto melancólico, que a singular formosura brandamente illuminava de claridade velada...

As linhas harmoniosas do seu busto sereno, perfeito, davam-lhe encanto vago, aéreo, siderações egrégias, prefulgencias de Archanjo.

Pairavam nessa mulher jalde-esmaiado, que na luz loura do sol tinha toques d'ouro, suavidades de canticos sacros, caricias de aves, e rhythmos preciosos de cytharas e harpas finamente vibradas travez a sonoridade clara das languidas aguas do Mar.