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Outros dão maiores largas aos devaneios. Ampliam influencia do ultimo. E architectam phantasias que cahem ao mais breve choque da critica; devaneios a que nem faltam a metrificação e as rimas, porque invadem a sciencia na vibração dos versos de Gonçalves Dias.
Outros vão terra á terra de mais.
Exaggeram a influencia do africano, capaz, com effeito, de reagir em muitos pontos contra a absorpção da raça superior. Surge o mulato. Proclamam-no mais approximado typo da nossa sub-categoria ethnica.
O assumpto assim vae, derivando multiforme e dubio.
Acreditamos que isto succede porque o escopo essencial destas investigações se tem reduzido à pesquiza de um typo ethnico unico quando ha, certo, muitos.
Não temos unidade de raça.
Não a teremos, talvez, nunca.
Estamos destinados á formação de uma raça historica em futuro remoto, se o permittir dilatado tempo de vida nacional autonoma.
Invertemos, sob este aspecto, a ordem natural dos factos. A nossa evolução biologica reclama a garantia da evolução social.
Estamos condemnados á civilisação.
Ou progredimos ou desapparecemos.
A affirmativa é segura.
Não a suggere apenas essa heterogeneidade de elementos ancestraes.
Reforça-a outro egualmente ponderavel: um meio physico amplissimo e variavel, completado pelo variar de situações historicas, que delle em grande parte decorreram.
A este proposito não será desnecessario consideral-o por alguns momentos.