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II
Desvendemol-as rudemente.
Deponhamos.
O facto era vulgar. Fizera-se pormenor insignificante. Começara sob o esporear da irritação dos primeiros revezes, terminava friamente feito praxe costumeira, minuscula, equiparada ás ultimas exigencias da guerra.
Preso o jagunço valido e capaz de aguentar o peso da espingarda, não havia malbaratar-se um segundo em consulta inutil. Degollava-se; estripava-se. Um ou outro commandante se dava ao trabalho de um gesto expressivo. Era uma redundancia capaz de surprehender.
Dispensava-a o soldado atreito á tarefa.
Esta era, como vimos, simples.
Enlear o pescoço da victima numa tira de couro, num cabresto ou numa ponta de chiquerador; impellil-a por deante; atravessar entre as barracas, sem que ninguem se surprehendesse; e sem temer que se escapasse a presa, porque ao minimo signal de resistencia ou fuga um puxão para traz faria que o laço se antecipasse á faca e o estrangulamento á degolla. Avançar até á primeira covanca profunda, o que era um requinte de formalismo; e, alli chegados, esfaqueal-a
Nesse momento, conforme o humor dos carrascos, surgiam ligeiras variantes. Como se sabia, o supremo pavor do sertanejo era morrer a ferro frio, não pelo temor da morte senão pelas