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Revelou-os, pela primeira vez, o senador Thomaz Pompeu, traçando um quadro por si mesmo bastante eloquente, em que os apparecimentos daquellas, no seculo passado e actual, se defrontam em parallelismo singular, sendo de presumir que ligeiras discrepancias indiquem defeitos de observação ou desvios na tradição oral que as registrou.
De qualquer modo resalta á simples contemplação uma coincidencia repetida bastante para que se remova a intrusão do acaso.
Assim, para citarmos apenas as maiores, as seccas de (1710-1711), (1723-1727), (1736-1737), (1744-1745), (17771778), do seculo XVIII, juxtapõe-se as de (1808-1809), (1824-1825), (1835-1837), (1844-1845), (1877-1879), do actual.
Esta coincidencia, espelhando-se quasi invariavel, como se surgisse do decalque de uma quadra sobre outra, accentua-se ainda na identidade das quadras remansadas e longas que, em ambas, atreguaram a progressão dos estragos.
De facto, sendo, no seculo passado, o maior interregno de 32 annos (1745-1777), houve no nosso outro absolutamente egual e, o que é sobremaneira notavel, com a correspondencia exactissima das datas (1845-1877).
Continuando num exame mais intimo do quadro, destacam-se novos dados fixos e positivos, apparecendo com um rigorismo de incognitas que se desvendam.
Observa-se, então, uma cadencia raro perturbada na marcha do flagello, intercortado de intervallos poucos dispares entre 9 e 12 annos, succedendo-se de maneira a permittirem previsões seguras sobre a sua irrupção.
Entretanto, apesar desta simplicidade extrema nos resultados immediatos, o problema, que se póde traduzir na formula arithmetica mais simples, permanece inabordavel.
Impressionado pela razão desta progressão raro alterada,
e fixando-a um tanto forçadamente em onze annos, um