Página:Euclides da Cunha - Os Sertões (1902).pdf/122

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
— 102 —

dilatada linha entre a Itiuba e Ibiapaba, sobre o local de antigas aldeas das missões, alli surgiram, todas, de antigas fazendas de gado.

Excusamo-nos apontar exemplos, por demais numerosos. Quem considera as povoações do S. Francisco, das nascentes á foz, assiste á successão dos tres casos apontados.

Deixa as regiões alpestres, cidades alcandoradas sobre serras, reflectindo o arrojo incomparavel das bandeiras; atravessa depois os grandes geraes, desmedidas arenas feitas á sociedade rude, liberrima e forte dos vaqueiros; e attinge depois as paragens pouco appetecidas, amaninhadas pelas seccas, talhadas aos roteiros lentos e penosos das missões.

É o que indicam, completando estes ligeiros confrontos, os traçados das fundações jesuiticas, no tracto de terras que a pouco demarcamos.

Com effeito, alli, totalmente diversos na origem, os actuaes povoados sertanejos se formaram de velhas aldeias de indios, arrebatadas, em 1758, do poder dos padres pela politica severa de Pombal. Resumindo-nos aos que ainda hoje existem, proximos e em torno do logar onde existia ha tres annos a Troya de taipa dos jagunços, vemos mesmo em tão estreita area, os melhores exemplos.

De facto, em toda esta superficie de terras, que abusivas concessões de sesmarias subordinaram á posse de uma só familia, a de Garcia d’Avila, (Casa da Torre) se acham povoados antiquissimos.

De «Itapicurú-de-cima» a Geremoabo e dahi acompanhando o S. Francisco até aos sertões de Rodellas e Cabrobó, avançaram logo no seculo XVII as missões num lento caminhar que continuaria até ao nosso tempo.

Não tiveram um historiador.