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meiados do seculo XVI attrahira para os flancos do Espinhaço um após outros, inaccessiveis a constantes mallogros, Bruno Spinosa[errata 1], Sebastião Tourinho, Dias Adorno e Martins Carvalho, e desapparecendo no norte o paiz encantado que idealisara a imaginação romantica de Gabriel Soares, grande parte do seculo XVII é dominada pelas lendas sombrias dos caçadores de escravos, centralisados pela figura brutalmente heroica de Antonio Raposo.
É que se haviam apagado quasi que ao mesmo tempo as miragens da mysteriosa «Sabará-bussú» e as das «Minas de Prata,» eternamente inattingiveis; até que, renovadas pelas pesquizas indecisas de Paes Leme, avivando, depois de um apagamento quasi secular, as veredas de Glimmer; alentadas. pelas oitavas de ouro de Arzão pisando em 1693 as mesmas trilhas de Tourinho e Adorno: e ao cabo francamente resurgindo logo depois com Bartholomeu Bueno, em Itaberaba, e Miguel Garcia, no Ribeirão do Carmo, as entradas sertanejas volvessem ao anhelo primitivo e, irradiando do districto de Ouro Preto, se espraiassem de novo, mais fortes, pelo paiz inteiro.
Ora, durante este periodo, em que apparentemente só se observam, no littoral a lucta contra o batavo e no amago dos planaltos o espantoso ondular das bandeiras, surgira na região que interfere o medio S. Francisco notavel povoamento cujos resultados somente depois appareceram.
Formara-se obscuramente. Determinaram o, em começo as entradas em procura das minas de Moreya que, anonymas e sem brilho, tudo indica se terem prolongado até ao governo de Lancastro, levando até ás serranias de Macahubas, alem do Paramirim, successivas turmas de povoadores.[1] Vedado
- ↑ Carta do coronel Pedro Barbosa Leal ao conde Sabugosa — 1725. Veja-se F. A. Pereira da Costa — Em prol integridade do territorio de Pernambuco e Pedro Taques. Nobiliarchia Paulista.