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Uma pira de bronze ardia em meio do salão, flamejando cerúlea, ora em labareda única, piramidal, ora em repartidas línguas que tremeluziam.

Estremeci de repente. Seguiam-me, espreitavam-me. Quedei, com o coração estarrecido, abafado, sem fôlego. Olhei e então reconheci no meu silencioso perseguidor a minha própria imagem — não uma, como, a princípio, me parecera, muitas reproduzindo-se em todas os espelhos que se defrontavam alargando, aprofundando o salão indefinidamente, multiplicando as colunas de ouro, as tripodes, a pira acesa, os móveis e a minha imagem que numa fila extensa repetia, com isocronismo mecânico, todos os meus movimentos.

Aventurei-me até a porta esconsa, encravada numa reentrância em ogiva. Empurrei-a: cedeu sem rumor, abrindo sobre uma espécie de cripta de um ambiente odorífero e azulado de cujo teto, em abobada, pendia uma lâmpada em forma de concha, irradiando em sete bicos dos quais subiam trêmulas chamas pálidas.