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BRASILEIRA
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Aquelle que gigante inda no berço
Se mostrava ás nações, no berço mesmo
E' já cadaver de crueis harpyas,
De malfasejas furias!

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Rutilava então no horisonte europeo a aurora da libertação da Grecia. Foi como um raio de luz e de esperança trasido ao seio das angustias do proscripto brasileiro.

Transportado de jubilo e enthusiasmo por esse acontecimento grandioso, que rasgara perante a Europa a pagina negra da dominação turca, José Bonifacio afferrolhou no fundo do coração amargurado os males da patria, prendeo aos labios um pallido sorriso de contentamento, e em uma ode inspirada cantou a liberdade d'esse berço prestigioso da civilisação humana:

« Oh! Musa do Brazil, tempera a lyra,
Dirige o canto meo, vem inspirar-me
Accende-me na mente estro divino
De heroico assumpto digno!

Se comigo choraste os negros males,
Que a saudosa cara patria opprimem,
Da Grecia renascida altas façanhas
As lagrimas te sequem!