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Epigrammas
LXVI.
Do iracundo.
Hum a outro a vida tira,
Sem razaõ alguma ter,
Para tanto mal fazer;
E naõ mata a ſua ira,
Que o fará talvez morrer.
LXVII.
Do que naõ jejua.
Gente, que com comer ſonha,
E que naõ jejua hum dia,
Guardar o jejum devia;
Quando menos por vergonha
Da brutal alarvaria.
LXVIII.
Motivo para a humildade.
Eu naõ ſei, como inda ha gente,
Que louca em ſi ſe embasbaca
Crendo-ſe coiſa excellente,
Sem ver, que he interiormente
Huma nojenta cloaca.
Feal-