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Portugrezes
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LVIII.
Do avarento.
Hum avarento tem medo
Do dinheiro lhe fugir;
Mas como ha de elle ſahir
Se a bolſa he de tal ſegredo,
Que o dono a naõ póde abrir?
LIX.
Vicioſos.
Poucos do vicio fugindo,
Muitos vaõ para elle entrando;
Naõ vendo, nem reparando,
Que quantos entraraõ rindo,
Todos vem de lá chorando.
LX.
Das intenções humanas.
Como ſaõ pelo interior
Os homens, quero ſaber;
Mas fico-me com querer,
Que ſaõ lá de furta côr,
Naõ ſe pódem conhecer.
De-