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Assim, lentamente, se fez esta fraternidade das duas nações, que marcará talvez na historia. Os francezes agora pretendem que ella realmente existiu sempre (é agradavel prender tudo a uma velha tradição) — e vão buscar mesmo a sua origem ao fundo do seculo XVIII (antes d’isso tambem quasi não existia a Russia) ao Czar Pedro, o Grande, que foi esplendidamente festejado em Pariz, na côrte jovial do Regente, onde a sua força colossal, os seus bigodões, a sua brutalidade encantavam les petites dames. Mas vão sobretudo filiar esta fraternidade na guerra da Criméa em 1855, onde officiaes francezes e russos confraternisavam nas trincheiras, entre dous combates, bebendo champagne. Boa novidade! Já outr’ora, durante as velhas guerras dos Cem Annos, os cavalleiros inglezes e francezes, depois das duras brigas, ou no repouso dos assedios, se juntavam, deslaçavam os morriões de ferro, para basofiar d’armas e d’amores, tragando por grossos picheis a zurrapa do Rossilhão. Em todos os tempos, nos exercitos aristocraticamente organisados, os officiaes fidalgos, quando se não batiam, bebiam, segundo as circumstancias, zurrapa ou champagne.

Não! A alliança franco-russa, se se realisar, é obra especial, pelo lado da França, d’esta nova geração que succedeu á guerra, e, pela parte da Russia, do Czar. Na Russia não foi o povo que ja fez, porque o povo não tem opinião e, portanto, politicamente não existe. E em França não foi o governo que a fez, porque os homens