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tradas de mutua hostilidade, tanto maior da parte da França quanto tem de ser, por prudencia, silenciosa. Mas eis que agora, n’estes ultimos dias, a Italia praticou, para com o sentimento francez, um outro e supremo ultraje.

O imperador da Allemanha vem este anno dirigir as grandes manobras militares nas provincias francezas conquistadas, Alsacia e Lorena. E quem acompanha o imperador da Allemanha, como seu hospede e alliado? O principe real de Italia. Ora, para os francezes, esta presença do principe italiano na terra alsaciana é uma offensa monstruosa. E é realmente uma offensa?

Ha aqui uma susceptibilidade muito delicada, que é difficil criticar. Em boa verdade, hoje a Alsacia e a Lorena são, geographicamente e administrativamente, provincias allemãs como a Pomerania ou o Brandeburgo: e não parece que, no facto do principe da Italia ir a Strasburgo, haja maior injuria do que ir a Berlim ou a Leipzig. Além d’isso, a sua presença não vae consagrar a conquista que é um facto consummado ha mais de vinte annos, e não precisa consagração. Accresce ainda que o imperador da Allemanha não vem á Alsacia e Lorena com intenções arrogantes de desafio: e o principe de Italia não está, portanto, collaborando tacitamente n’uma provocação allemã. Depois elle foi solemnemente convidado a assistir ás manobras allemãs, que se realisam por acaso nas provincias annexadas: e se o acceitar um convite para