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DOM JOAO VI NO BRAZIL 793

vernador mandou urn dos seus ajudantes de campo, que foi igualmente victima.

Emquanto que isto se passava nos quarteis, tres Brazi- leiros percorriam a cidade, reuniam a multidao e pregavam a revolta, vociferando contra o Governo e contra os euro- peus. Estes tres chefes eram: I Q um negociante, Domfngos Jose Martins, recentemente chegado de Londres, onde que- brara fraudulentamente; 2 Antonio Carlos de Abreu, (i) que durante varios annos fora magistrado em Santos, actual- mente ouvidor, accusado de assassinate e vivendo na mais pa- cifica, e aqui mais vulgar, impunidade; 3 q o Vigario de uma parochia (2) ; este srderado para mclhor se impor a multidao teve a infamia de se revestir do sobrepeliz e da estola. Sao visivelmente os tres chefes da insurreigao, e Domingos Jose Martins e o mais influente de todos. (3) Ouviam-se com frequencia gritos de: Viva a independencia! Viva a liber- dade dos filhos da patria ! Morrarn os europeus !" (4)

Os successos da revolugao de 1817 sfio de sobejo conheci- dos. Os factos que Ihe assignalaram a curta durac/io, encon- tram-se miudamente historiados em Muniz Tavares (5) e syntheticamente, quando nao gongoricamente romantizados em discursos e panegyricos sem conta. A recentissima publi- cagao das Notas Dominicaes (6) veio ajuntar outra rela-

��(1) Antonio Carlos de AntJrcida, ouvidor em Olinda.

(2) O padre Joao Ribeiro nao era vigario de parochia, sim ca- pollao do hospital do Paraiso.

(:>) Para sor hem exacto, deveria Maler ter dito que Domin gos Martms ja estava recolhido na cadeia donde violentamente o soltou o tenente de artilheria Antonio Henriques. So entao ponde elle entrar a exaltar a ropublica com o seu enthusiasmo communicativo.

(4 1 Trad. cit. do officio de 28 de Margo de 1817.

i < ) Historic da Revoluc&o de 1817.

(6) Edigao do Institute Archeologico de Pernambuco, em tra- ducgao do Sr. Alfredo de Carvalho.

D. J. 50

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