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DOM JOAO VI NO BRAZIL 381

pregos dobrados, mesmo porque os navios empregados em trazer as manufacturas britannicas careciam de fretes de torna viagem.

Como resultado, e ainda nao dos peores, deve-se registrar a grande devastagao das mattas do littoral por effeito da per- missao, dada aos Inglezes no tratado, de n ellas cortarem ma deiras de construcgao para as suas embarcagoes. A madeira carregada para a Inglaterra o foi nao somente para uso nos estaleiros, como para todas as applicacoes possiveis no paiz de destino e n outros paizes. Entraram a abundar em Lon- dres os moveis de jacaranda e de vinhatico "e os navios da mesma nacao,. que em outro tempo forao de pinho, e de ou- tras madeiras fracas, e pouco duraveis, agora ja erao de vinhatico, pao d arco, e similhantes madeiras muito fortes, e duradouras" (i).

Quando em 1808 o Principe franqueou os portos bra- zileiros as nacoes arnigas, era outrosim um privilegio que concedia a Inglaterra, nao somente por ser a unica entao da Europa em estado de manter e proteger uma possante mari- nha mercante, como pela razao muito simples de estar quasi todo o continente sob o jugo de Napoleao, quer como prote- gido, quer como alliado, o que nao passava de um equivalente do primeiro termo. Mais tarde, por occasiao da grande pa- cificagao presidida por Metternich, e que os portos brazilei- ros foram realmente abertos a todo o commercio internacio- nal : o decreto de 18 de Junho de 1814 ja se nao fundava sobre restriccoes especiosas. Esses annos entre 1808 e 1814 foram portanto de verdadeiro monopolio mercantil para a Gra Bretanha e serviram-lhe para occupar suas posigoes es- trategicas e conquistar o mercado. A principio nao tinha

��(1) Hist, de Port. cit.

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