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DOM JOAO VI NO BRAZIL 275

jecto maduro, que tanto tinha sido de Linhares como podia agora ser de Barca, tomar posse definitiva da Banda Orien tal, onde o caudilho Artigas estava campeando e exercendo grande prestigio sobre a multidao, solicitada pelos ideaes di- vergentes da emancipagao politica e da lealdade colonial.

De Palmella e sabido que se nao contentou com servir intelligentemente as ordens do governo do Rio na missao que nos annos de 1809 a 1812 o reteve em Hespanha, acre- ditado perante a Junta Central de Sevilha e depois perante as Cortes Constitucionaes de Cadiz. Era essa missao, pode dizer-se toda no interesse de Dona Carlota Joaquina, pois que o joven diplomata levava como instrucgoes obter a abro- gacao da lei salica, o consequente reconhecimento dos direi- tos eventuaes da Princeza do Brazil ao throno d Hespanha e, finalmente, a acceitagao da mesma Princeza como Regente durante a crise da occupacao franceza e o captiveiro em Va- lengay do Rei Fernando VII e do Infante Dom Carlos. Pal mella foi mais longe do que isso, sendo dos primeiros que devanearam para a sua soberana um futuro imperial, ver- dade e que compartilhada tao alta posigao pelo marido que ella tinha em horror.

Nao era isto exactamente o que Dona Carlota preten- dia. A grande ambicjio da sua vida foi governar, porem go- vernar ella so, sem peias e sem participates. Para realizar este desejo foi que trabalhou, cabalou, intrigou, se cangou de pedir e de ameagar, nao recuando deante de meio algum, e so alcancando impopularizar-se quando iniciara seus esforgos n um ambiente favoravel. Era Dona Carlota a filha primo- genita do soberano desthronado, victima lastimosa de bai- xezas e prepotencias, aquelle tempo vegetando trfstemente em Marselha: como tal ella acordava uma commiseragao re-

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