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festo, he prova d’imbecillidade”, escrevia elle a D. Fernando de Portugal [1] a proposito das lamurias de Salter, um dos governadores do Reino na ausencia do Principe. Demais o proceder o Governo obsta a que procedam os governados. “S. A. R. está convencido que o unico meio d’evitar o pessimo effeito das côrtes em Espanha he ganhar o affecto do Povo com justas concessoens, e avançando aquelles estabelecimentos uteis com que os Demagogos hão de querer depois fazer-se valer. Além dos grandes meios propostos nas Instrucçoens (aos Governadores do Reino) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . creio que a abolição da Inquisição e da Companhia do Doiro seriam objectos que haviam de produzir huma sensação geral, e divertir os animos dos Povos da idéa de Constituiçoens pelo bem que lhe havião de fazer sentir e pelo respeito que grangearião ao Governo.”
Por isso é que D. Rodrigo, ao passo que creava com a Intendencia um verdadeiro e inquisitorial ministerio da policia, acerbamente denunciado no Correio Braziliense como vexatorio para a liberdade civil do cidadão e inutil no impedir a disseminação das novidades politicas, reintroduzia na colonia a imprensa, cuja ephemera existencia, em tempo do conde de Bobadella, a côrte de Lisboa ceifara sem piedade.
Certamente a semi-official Gazeta do Rio de Janeiro, dirigida por Frei Tiburcio da Rocha [2] e que, sujeita á
- ↑ Carta de 1 de Novembro de 1809, ibidem.
- ↑ Mello Moraes, ob. cit. Diz porém José Silvestre Ribeiro (Historia dos estabelecimentos scientificos, litterarios e artisticos de Portugal, Tomo IV) que o primeiro jornal brazileiro pertencia e era redigido pelos officiaes da secretaria dos negocios estrangeiros, a repartição a que presidia D. Rodrigo, o que me parece mais veridico. Em Janeiro de 1811 auctorizava o conde dos Arcos na Bahia a publicação sob censura do periodico A Edade de Ouro, igualmente bi-hebdomadario.