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DOM JOÃO VI NO BRAZIL
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rante, guloso, apresentando por principal recommendação ao cargo de secretario da fazenda o enthesourar numerario nos cofres reaes, resultado que seria em extremo louvavel si não fosse alcançado com retardar os vencimentos dos empregados publicos e os pagamentos aos credores do Estado. Era voz corrente que para si proprio não deixava de mostrar-se menos cupido e avarento o antigo vice-rei do Brazil, a quem o Rio de Janeiro deveu incontestaveis melhoramentos e que Silva Alvarenga cantou como:

Egregia flor da lusitana gente,Nobre inveja da estranha,De antigos reis preclaro descendente,Luiz, a quem se humilha quanto banhaDo grão tridente o largo senhorio,Desde o amazonio até o argenteo rio.

Pelo menos escrevia d’esta egregia flor com menos enthusiasmo D. Rodrigo [1], referindo-se á nova junta do Erario, que lhe assegurara pessoa sensata que nenhum dos seus membros sabia contar, e eram todos individuos a quem ninguem confiaria um só real, excepto a Luiz de Vasconcellos pelo muito dinheiro que trouxe do Rio de Janeiro. Diz porém Jacome Ratton [2], o qual era homem de negocios e conhecia admiravelmente a sociedade portugueza do seu tempo, que a riqueza accumulada, segundo era fama geral no Brazil pela economia de Luiz de Vasconcellos, não appareceu, nem antes nem depois da sua morte.

De Villa Verde, o outro ministro do Principe em Lisboa além de Antonio de Araujo, escrevia com graça na mesma


  1. Carta cit. ao Principe Regente de Novembro de 1799, no Arch. Pub. do Rio de Janeiro.
  2. Recordações.