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ajuntava elle, os cavallos e as viagens as unicas cousas de uma carestia inconcebivel: tudo é do mesmo geito. Não ha cantinho do universo onde se seja peor alimentado e peor alojado e por preços tão excessivos.”
Por uma casa terrea fóra da cidade pagava o mesmo encarregado de negocios de França 800$000 por anno, que eram então 5.000 francos, competindo-lhe as despezas de custeio e concertos. D’esta propria casa se viu Maler mais tarde privado por tel-a adquirido a Rainha que a ambicionava para tomar ares. Dona Carlota, como é sabido, gostava muito de mudar de ares e n’este intuito possuia diversas vivendas nos arrabaldes da cidade. O consul queixou-se porém amargamente [1] de ter assim que deixar, com suas quatro irmãs, uma habitação onde effectuara bemfeitorias, entre ellas um pomar de arvores tropicaes e arvores da Europa, inclusive pecegueiros.
Como a côrte empregava grande numero de criados, tornara-se o serviço domestico escasso e conseguintemente caro. Um carro, ou para melhor dizer uma suja traquitana, custava 26 francos por meio dia e 50 francos pelo dia todo. Nada era barato. Não admira que os generos importados, e muito pouco era o que se não importava, fossem dispendiosos, pois que sobre elles pesavam avultados fretes e grandes direitos aduaneiros, mas o que mais curioso resulta é que os artigos da terra, como o assucar e café, custassem o mesmo quasi que em Lisboa. A propria agua — inutil é observar que a não havia canalizada em casa — pagava-se a 1 franco o barril.
- ↑ Officio de 2 de Outubro de 1818 no Arch. do Min. dos Neg. Estr. de França.