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seus olhos diamantes da melhor água! Sua voz argentina tinha aos meus ouvidos essa melodia inefável, que nem Rossini nem Verdi puderam ainda imitar, a melodia do ouro... do ouro, a senhora bem sabe, a lira de Orfeu deste século!... Oh! Que paixão, D. Emília! Era um delírio... uma loucura... Foi então que eu não pude mais resistir e confessei-lhe que a amava!

Emília ergueu-se rápida:

— Ah! compreendo agora!...

Como não fiquei ao ver aquela mulher, exultando de júbilo e orgulho ali, em face de mim, que pensava tê-la afinal humilhado com meu frio sarcasmo.

— O que é que a senhora compreende, D. Emília?

— Que eu vivo em sua alma! E como o senhor não pode arrancar-me dela, procura rebaixar-me a seus próprios olhos e humilhar-me para ter a força, que não tem, de me desprezar! O senhor ama-me, e há de amar-me enquanto eu quiser... e há de esperar aqui, a meu lado, até que chegue a hora em que me perca para sempre... Porque eu é que posso jurar-lhe: não o amo, não o amei, não o amarei nunca...

A paixão, recalcada por algum tempo, ergueu-se indomável em minha alma, e precipitou como uma fera sedenta para essa mulher. Toda a lia que o pecado original depositou no fundo do coração humano, revolveu-se e extravasou.

Eu avancei para Emília; e meu passo hirto, e meu olhar abrasado deviam incutir-lhe terror.