Página:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf/71

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
DIALOGO PRIMEIRO

NOTA (1)

Brandonio refere-se á mongubeira, arvore da familia das Bombaceas (Bombax monguba, Mart. et Zucc.). A lanugem cinzento-amarellada, sedoane hydrofuga, que envolve as sementes, é excellente material para enchimen to de almofadas, travesseiros e colchões, estofagem de mobilias e fabrico de feltro, sobretudo para chapéos leves.

A arvore tem outras utilidades notaveis: madeira para canôas e côchos, boias, molduras e pasta para papel; a casca, macerada dentro dagua, fornece liber abundante para cordoaria e estopa. Ha outras especies da mesma familia, chamadas paineiras e barrigudas, além da gigantesca sumaúma do valle amazonico.

NOTA (2)

O que se diz da esmeralda era cousa corrente entre os antigos. Abona-o Garcia de Rezende, Chronica dos valerosos, e insignes feytos del Rey Dom Joam II, p. 1, Coimbra, 1798:

“E estando el Rey em Almeirim, vindo hum dia da caça, foy de caminho à casa da Raynha, e teve com ella ajuntamento: a Raynha tinha em hum Anel hua esmeralda de muyto preço, que muyto estimava, a qual por esquecimento não tirou do dedo, e se lhe quebrou em pedaços. E quando assy a vio pesandolhe muyto disse a el Rey: Senhor, a minha esmeralda com que tanto folgava be quebrada.”

Ao diamante se attribuia a propriedade de fazer conhecida a fidelidade on infidelidade da mulher casada e tambem o dom de harmonizar esposos desavindos, donde lhe chamarem a pedra da reconciliação, reconciliationis gemma, o que, de certo modo, ainda hoje se póde considerar verdadeiro.

— Conf. Garcia da Orta, Coloquios dos Simples e Drogas da India, 11, 207, Lisboa, 1892.

NOTA (3)

Da entrada de Marcos de Azeredo á serra das Esmeraldas dá conta Frei Vicente do Salvador, Historia do Brasil, 27, São Paulo-Rio, 1918:

“De crystal sabemos em certo haver uma serra na capitania do Espirito Santo em que estão mettidas muitas esmeraldas, de que Marcos de Azeredo levou as mostras a el-rei e, feito exame por seu mandado, disseram os lapidarios que aquellas eram de superficio e estavam tostadas do sol, mas que, se cavassem ao fundo, as achariam claras e finissimas. Pelo que el-ret lhe fez mercé do habito de Christo e de dous mil cruzados pera que tornasse a ellas, os quaea se não deram, e o homem era velho e morreu sem haver mais até agora quem lá tornasse.”

A éra dessa entrada não pode ser determinada com precisão. Uma carta de Anchieta, datada da Bahia, 10 de Dezembro de 1592, ao capitão Miguel de Azeredo, morador na capitania do Espirito Santo, Annaes da Bibliotheca

65
5