Página:Da Terra á Lua.pdf/13

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
14
VIAGENS MARAVILHOSAS

— Comtudo, Maston, retorquiu o coronel Blomsberry, na Europa ainda continua a guerra para sustentar o principio das nacionalidades!

— E então?

— Então! Talvez se podesse tentar por lá alguma cousa, e se acceitassem os nossos serviços...

— Pensaes seriamente no que dizeis? exclamou Bilsby. Fazer balistica em proveito de estrangeiros!

— Sempre era melhor do que não fazer nada, retorquiu o coronel.

— De certo, sempre era um pouco melhor, disse J.-T. Maston, mas nem vale a pena pensar em similhante expediente.

— E porque? perguntou o coronel.

— Porque no velho mundo tem lá umas idéas ácerca de accesso e promoção, que estariam em opposição com todos os nossos habitos americanos. Imagina aquella gente que se não póde ser general em chefe sem ter servido como alferes, o que vale o mesmo que suppor que ninguem póde fazer uma boa pontaria, sem ter tambem sido o fundidor do canhão! Ora isto é nada mais nem menos do que...

— Absurdo! concluiu Tom Hunter, lascando com o «bowie-knife»[1] os braços da poltrona, e pois que assim é, não temos mais remedio do que ir plantar tabaco ou distillar azeite de baleia!

— Como assim, prorompeu em altos gritos J.-T. Maston; pois não havemos de empregar estes ultimos annos da nossa existencia no aperfeiçoamento das armas de fogo! Não ha de offerecer-se nova occasião de ensaiar o alcance dos nossos projectis! Nunca mais ha de illuminar-se a atmosphera com o relampago dos nos-

  1. Navalha de folha larga.