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DA FRANÇA AO JAPÃO

«Como não admittimos deoses, não temos templos nem cultos. Nos conformamos com os usos geraes do paiz, para celebrar a memoria dos nossos avós, parentes e amigos, arrebatados de nossas familias pela morte.»

«Como fazem os Sintoistas e os Budhistas, tambem collocamos sobre a mesa funérea, carnes cosidas e preparadas, e queimamos cirios, diante das imagens dos nossos mortos, prestamos-lhes assim, veneração como se vivos fossem ; e para honrar sua memoria, reunimo-nos todos os annos ou todos os mezes em banquetes commemorativos, no qual tomão parte toda a familia. Nesta occasião cada um se apresenta com as suas mais ricas vestes, depois de se purificar durante os tres dias que precedem, por abluções e pelo emprego de perfumes.»

«Não queimamos os nossos mortos: depois de conserva-los em nossas casas durante tres dias, os collocamos em tumulos como se faz na Europa. O esquife, é cheio de aromas que garantem o corpo da putrefacção. E assim que descem os corpos de nossos maiores á seus sepulchros.

«Tambem acreditamos que é permittido o suicidio, quando não encontramos outro meio para evitarmos um fim vergonhoso, e esta acção é considerada heroica e reparadoura dos nossos delictos e tambem do opprobio de cahirmos vivo no poder de um inimigo vencedor.»

Baseando-se sobre estes principios philosophicos, e dispensando o culto externo, esta religião não poderia encontrar adeptos na massa de um povo constituido por individuos de uma instrucção insufficiente para a sua comprehensão.

Hoje se encontra em algumas escolas publicas o retrato de Confucius, que, como sabemos, foi o fundador desta doutrina.

Os Sintoistas forão, em outros tempos, accusados de favorecerem secretamente o christianismo; é que os sectarios desta religião, não compartilhando do fanatismo das outras seitas, tomavão interesse nas discussões amigaveis com os padres de Christo, cujas doutrinas tambem são, por excellencia, liberaes